quarta-feira, 10 de março de 2010

São Paulo - SP

Depois de muito tempo distante, retorno à blogosfera com algumas impressões de minha nova vida, agora tendo como palco a capital paulista.

Logo que cheguei, algumas impressões foram se construindo em meus pensamentos baseadas nos diversos elementos que via na cidade. Mas algumas, em especial, tenho marcadas em lugar tão profundo, que sinto necessidade de compartilhar.


Com a mudança, passei a utilizar o transporte público - leia-se ônibus - para me locomover diariamente, de acordo com minhas necessidades. Final da semana passada, em pleno horário de almoço, todos os ônibus passando lotados. Finalmente, consigo entrar em um deles e me espremer em meio às pessoas em pé, tentando segurar em uma ou outra barra que via livres. No ponto seguinte, sobe no ônibus uma mulher, ainda muito jovem, com um bebê nos braços. Eu, preocupada com o fato de que seria impossível para ela segurar o bebê e as barras ao mesmo tempo, comecei a olhar em volta e procurar alguém que pudesse ceder lugar à moça. Ninguém se manifestou. Ninguém ofereceu lugar à mulher e nem se importou com os meus olhares e de alguns outros que estavam em pé. Nem mesmo as duas mocinhas, de mais ou menos uns 20 anos, que se encontravam nos assentos preferenciais.
Foi então que eu me surpreendi com o cobrador, o qual, aos gritos, dizia ao motorista que parasse. Se ninguém desse lugar à mulher com o bebê, ele sairía. As duas moças no assento preferencial começaram a dicutir, argumentar que elas não tinham obrigação de se levantarem e que o ônibus poderia seguir viagem sem o cobrador. Foi então que uma senhorinha, toda pequenina e mal se aguentando em pé levantou-se de seu banco e disse à moça com a criança que se sentasse.

Quantas vezes, nos ônibus, eu vejo senhoras e senhores, já na terceira idade, alguns sem condições de ficarem em pé sem apoio de bengalas, tentando equilibrarem-se nos ônibus porque os jovens têm preguiça de se levantarem, ou apenas não têm a educação e o bom-senso. Como isso me entristece - ver que tratamos nosso próprio futuro com tanto descaso

Enfim, trarei mais impressões em posts posteriores, para que não fique exaustiva a leitura :)

Abraços, Mariana.

Um comentário:

  1. Minha querida Mariana
    Lamentavelmente, com o gigantismo da cidade, foram sumindo os preceitos de respeito e de boa educação entre seus habitantes. É preciso que as crianças voltem a serem educadas para a vida em sociedade, para a volta ao bem viver nessa sociedade. Cabe aos pais de hoje tentarem reverter o que os pais de ontem desfizeram mercê seu egoismo, seu egocentrismo, pois o resultado foi esta geração atual que acha que o mundo está ai para servi-la, que segue a norma do "primeiro eu"... Você ainda vai encontrar por aqui "coisas do arco da velha", mas espero que encontre também o lado bom da cidade, que encontre neste amontoado de seres perdidos, muitas almas boas e generosas, porque, acredite, ainda as há, em enorme quantidade neste pedaço de chão tão sofrido e tão incompreendido.
    Beijos.

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